Misto Quente: A infância e adolescência de um velho embriagado

By Anônimo - 22:07

Já tinha visto vários trechos do famoso Bukowski no Tumblr (quando eu tinha um), e persuadida por eles, resolvi comprar e ler um livro dele. O primeiro foi Cartas na Rua, que contava a história de quando Henry Chinaski (alterego do autor) trabalhou nos correios. Fiquei um tanto quanto decepcionada, porque os trechos que eu via na internet eram sempre profundos, melancólicos, sempre com algo a expressar, e o o protagonista parecia ser apenas um velho pinguço e mulherengo que odiava o próprio emprego e não fazia questão de seguir regras.
Mas, quando fui fazer minha primeira tatuagem e resolvi comentar com o tatuador sobre o livro, ele disse que o ideal seria eu ter lido Misto Quente primeiro, que o romance valeria mais a pena.

Pois bem, resolvi dar uma chance para o escritor alemão e comprei o Misto Quente (quase três anos depois, mas tudo bem).
Quem começa a ler esse livro esperando um romance lindo está começando errado.
Misto Quente não tem uma história bonitinha de amor para contar. A obra fala sobre a infância e adolescência de Henry Chinaski (sim, o mesmo do outro livro). 
Henry vivia de uma família pobre, seu pai era violento e autoritário, e sua mãe era submissa e ignorante (segundo ele). Seu pai queria ser rico, por isso, fingia ser rico. Ele não permitia que Henry falasse com as crianças da vizinhança, pois elas eram todas pobres. Mas ele dava um jeito de falar com elas mesmo assim.
Tudo era motivo para apanhar de seu pai (que chegava a bater na esposa também, vez ou outra). 

Tanto a infância quanto a adolescência foram conturbadas, naquela sociedade, o método de sobrevivência de um homem (tanto social, quanto física) era bater para não apanhar.

O livro possui muitas partes pesadas por conta do cenário em que a história ocorre, que era de extrema miséria e pessoas agressivas por toda a parte.
Porém, também possui algumas reflexões, críticas à sociedade (principalmente ao capitalismo), e referências à Crise de 1929 (também conhecida como "A Grande Depressão") e a Segunda Guerra Mundial. É interessante ver como a população enxergava aquela situação, mesmo se tratando de uma ficção. Eis abaixo alguns trechos:

"Acho que o único momento em que as pessoas pensam em injustiça é quando acontece com elas"

"Dê uma máquina de escrever a um homem e ele se tornará um escritor"

"Que tempos penosos foram aqueles anos - ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade"

Erroneamente, eu achava que os livros de Bukowski eram biografias fiéis da vida dele. Na verdade, ele se inspirava na sua própria vida para escrever (assim como Henry Chinaski trabalhou nos correios no livro Cartas na Rua, Charles Bukowski também trabalhou nos correios por vários anos).
Apesar de não ter me identificado com muita coisa e ter reprovado o modo como as mulheres são tratadas na obra (como objetos), ainda desejo ler outros livros do autor.

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